Do zero à revolução dos Pagamentos na LATAM - a jornada do nosso CEO
Jul 10, 2026
Há alguns meses, nosso CEO Leonardo Mazzo foi capa da última edição da Trendsetter Bolívia! Descubra a história de uma das grandes mentes por trás da SmartFastPay e como suas experiências moldaram nossa excelência no mundo das fintechs.
Leonardo Mazzo: Do zero à revolução dos Pagamentos na LATAM
Aos 35 anos, Leonardo Mazzo tem uma história que parece ter saído de um roteiro de cinema: ex-militar, dono de loja de sapatos, franqueado do setor de alimentação, barbeiro e até empreendedor no negócio de exportação de pés de galinha. Mas foi ao chegar ao fundo do poço, após uma falência que o mergulhou em uma depressão, que ele encontrou seu verdadeiro propósito: conectar a América Latina por meio da tecnologia de pagamentos. Hoje, como CEO da SmartFastPay, ele lidera a expansão de uma das fintechs mais promissoras da região. Nesta edição, a Trendsetter apresenta sua inspiradora trajetória de resiliência e visão.
Tudo começou entre caixas de sapato. “Minha trajetória no mundo dos negócios começa cedo, quando eu ainda organizava caixas de sapato no primeiro negócio do meu pai, que trabalhou muitos anos na Volkswagen no Brasil”, lembra Leonardo Mazzo. Nascido e criado no Sul do Brasil, Leo aprendeu desde criança os rudimentos do comércio ajudando sua família em uma loja de calçados multimarcas em Curitiba, no Paraná. Após a morte de seu avô, a família decidiu vender todos os negócios e retornar à sua cidade natal, Itajaí, em Santa Catarina, onde Leo reside atualmente. Lá, seu pai não apenas retomou o negócio de calçados, mas abriu uma loja de revistas, livros e presentes. Com apenas 16 anos, Leo ficou encarregado de gerenciar esse novo espaço. “Foi aí que começou minha vida como empreendedor”, afirma.
Após cumprir o serviço militar obrigatório na Marinha do Brasil aos 18 anos, Leo retornou com mais fome de negócios. Tentou a sorte na exportação de pés de galinha com fornecedores chineses, aventurou-se na intermediação de comércio exterior e expandiu para o mundo das franquias de alimentação com a DNA Natural, uma loja de alimentação saudável. Depois vieram uma loja de móveis planejados e até uma barbearia. Mas o império desmoronou. “Todo esse império empresarial foi por água abaixo, e enfrentei minha primeira falência — um duro aprendizado de que ser empreendedor não é fácil”, confessa com franqueza. “Anos de trabalho e dedicação foram reduzidos a zero, e ainda com dívidas. É muito difícil lidar com tudo isso: sofremos instabilidades políticas, problemas que não podemos controlar… um erro contratual nos levou por esse caminho.”
Seguiram-se meses de depressão e reflexão. Foi então que um amigo do mundo da tecnologia abriu seus olhos para um universo que estava bem na sua frente sem que ele visse. “Nunca pensei que seria um ‘nerd’ da informática como sou hoje”, admite aos risos. “Mas entendi que o dinheiro conecta tudo. Processar pagamentos, conectar as pessoas aos seus desejos através da tecnologia… essa era a chave.” O problema era o ponto de partida: ele estava quebrado. Para piorar, o Brasil não facilita a vida do empreendedor, com seu labirinto burocrático e fiscal. Então Leo recomeçou do lugar mais humilde possível: um bar. Ou melhor, um “boteco”, como ele descreve carinhosamente aquela taberna onde passava das 7 da manhã às 11 da noite, todos os dias, de segunda a segunda.
E cada real que ganhava atrás do balcão, ele investia na contratação de desenvolvedores para criar uma API que se conectasse aos bancos e oferecesse serviços de pagamento a empresas internacionais. Tudo era manual. Enquanto servia cervejas, ele mesmo processava os pagamentos à mão. O ponto de virada veio com o lançamento do PIX no Brasil. “O PIX não apenas revolucionou a forma como as pessoas faziam pagamentos, mas levou a tecnologia para quem nem sequer tinha uma conta bancária”, explica. As empresas internacionais começaram a buscar seus serviços. A empresa começou a crescer.
Mas Leo entendeu algo fundamental: para chegar a grandes clientes e se sustentar no mercado, ele precisava sair do Brasil. E não apenas para outra cidade, mas para outros países. “É curioso como alguns europeus veem a América Latina — acham que todos os países são iguais, mas é exatamente o oposto.”
Assim começou a expansão. O primeiro destino foi a Colômbia, onde morou por seis meses para absorver a cultura, as leis e os métodos de pagamento locais. Essa experiência confirmou que, para triunfar na região, ele precisava fazer o mesmo em cada país. O objetivo era ambicioso: tornar-se uma referência em pagamentos em toda a América Latina. Consciente de que fazer isso sozinho levaria muito tempo, tomou uma decisão estratégica: aliar-se a um grande grupo canadense com experiência em pagamentos na Europa e na Ásia. Graças a essa aliança, em 2024 a SmartFastPay se expandiu para cinco novos países.
Hoje, a empresa opera em oito países da América Latina: Brasil, Chile, Peru, México, Equador, Bolívia, Colômbia e Argentina, com os olhos voltados para a América Central.
De todos eles, a Bolívia chamou especialmente sua atenção. “Havia uma grande dificuldade com pagamentos lá, seja por falta de tecnologia ou porque outras empresas internacionais haviam tentado e fracassado.” Leo viu uma oportunidade estratégica. Investiu em escritórios, equipe e alianças locais. “Nada na empresa hoje é feito por acaso, mas sim com estudo”, ressalta. Atualmente, com o apoio de aliados estratégicos para cumprir as normativas, a SmartFastPay está em processo de obtenção da nova licença regulatória na Bolívia. “Isso nos proporcionará ainda mais segurança e profissionalismo, que é o que queremos para o mercado boliviano e para a empresa.”
De servir cervejas enquanto processava pagamentos à mão a liderar uma fintech presente em quase uma dezena de países, a história de Leonardo Mazzo é um testemunho de que, às vezes, é necessário chegar ao fundo do poço para encontrar o verdadeiro propósito. E ele tem isso muito claro: conectar a América Latina por meio da tecnologia, um pagamento de cada vez.

Entrevista: Perguntas e Respostas
1. Para quem ainda não conhece a SmartFastPay, como você explicaria de forma simples o que ela soluciona e por que é relevante hoje em dia?
A SmartFastPay é, em sua essência, uma processadora de pagamentos. Mas vamos colocar em termos simples: pense em tudo o que você faz digitalmente que envolve dinheiro — uma compra em um e-commerce, uma transação em uma plataforma de trading, uma assinatura de um serviço. Cada uma dessas operações precisa de uma ponte segura, rápida e confiável que conecte o comprador ao vendedor. Nós somos essa ponte.
Fazemos o mesmo que as maquininhas de cartão, mas no universo digital. No entanto, há uma diferença fundamental: muitas grandes empresas internacionais querem chegar a mercados como a Bolívia, mas esbarram em barreiras tecnológicas, regulatórias e operacionais que as impedem de fazer isso sozinhas. Nós resolvemos exatamente esse problema. Conectamos ambas as pontas — comprador e vendedor — de forma rápida, eficiente e, o mais importante, adaptada à realidade local de cada país. Não importa onde você esteja, nós fazemos o dinheiro chegar.
2. O que o motivou a criar a SmartFastPay e qual necessidade de mercado você viu que os outros não viam?
A SmartFastPay nasceu em um momento de reinvenção pessoal — e isso é parte fundamental de sua essência. Quando você perde tudo e precisa reconstruir do zero, você não escolhe o caminho fácil. Você escolhe o caminho com mais propósito.
Nesse processo, vi algo que poucos haviam notado: o pagamento é o grande conector universal. Cada troca, cada transação, cada relação comercial passa inevitavelmente por um meio de pagamento. E aí detectei uma lacuna enorme entre o que as empresas precisavam e o que realmente estava disponível, especialmente na América Latina. Mas o que mais me motiva até hoje não é o processo técnico em si, mas o que a tecnologia de pagamentos pode destravar. É uma porta de entrada. Quando você resolve o problema de pagamentos de uma empresa, você se torna parte do ecossistema dela. E a partir daí, surgem oportunidades para desenvolver novos produtos, novas soluções, novas colaborações.
A SmartFastPay não é apenas uma ferramenta financeira. É uma plataforma de conexão.
3. Por que você decidiu focar na Bolívia nesta etapa de expansão e quais oportunidades você vê no ecossistema financeiro do país?
A Bolívia esteve fora do radar por muito tempo — e precisamente por isso se tornou um país estratégico para nós.
Muitas empresas chegaram, tentaram e fracassaram. A dificuldade de se conectar com os bancos locais e o atraso tecnológico nos métodos de pagamento criaram barreiras que afastaram os players internacionais. Mas hoje, com plataformas como o Yapé ganhando espaço entre os consumidores bolivianos, estamos vendo uma mudança real. E quando o consumidor adota um método de pagamento digital, as empresas de todos os setores crescem com ele. Vi esse fenômeno de perto no Brasil com o PIX. O número de transações disparou, a bancarização popular se multiplicou e mercados inteiros se abriram. O PIX não apenas mudou a forma como as pessoas pagam, mas levou tecnologia para quem nunca havia tido acesso antes. E esse mesmo movimento está começando agora na Bolívia.
Por isso estamos investindo de verdade: escritórios próprios, uma equipe corporativa local, alianças estratégicas com fornecedores bolivianos e o desenvolvimento de um produto de pagamentos exclusivo para o mercado boliviano. Nada do que fazemos aqui é por acaso. Contamos com a assessoria estratégica da PPO e estamos em processo de solicitação da nova licença regulatória do país, o que nos dará ainda mais segurança e credibilidade para operar. E vou te dizer algo com convicção: a Bolívia vai crescer muitíssimo nos próximos 5 anos. Em todas as minhas viagens pelo mundo, cada vez mais marcas internacionais me perguntam sobre o país — sobre a taxa de câmbio, sobre como funciona o mercado local, sobre as oportunidades. Sinto que me tornei um embaixador da Bolívia para o mundo. E isso me enche de orgulho.
4. Como empreendedor de fintech, o que você acha que precisa mudar na América Latina para que a inovação financeira realmente decole?
A resposta começa com uma palavra: desconhecimento.
As fintechs chegaram para facilitar a vida das pessoas e das empresas — com menores custos, maior valor agregado e um enorme potencial para escalar negócios de todos os tamanhos. Mas os reguladores e as autoridades, em muitos casos, simplesmente não estavam preparados para isso. E o que não se entende, se teme. Por isso, cada vez que entramos em um novo país — seja para solicitar uma licença ou para nos reunirmos com o regulador — não me apresento apenas como um empreendedor em busca de aprovação. Apresento-me como um parceiro que quer compartilhar conhecimento. Levo toda a bagagem internacional da SmartFastPay, mostro o que construímos em 8 países, apresento dados, casos concretos, resultados.
Precisamos manter conversas diretas, honestas e abertas com os tomadores de decisão no âmbito regulatório. A inovação e a regulação não são inimigas: devem andar de mãos dadas. Quando isso ocorre, todo o ecossistema ganha: o consumidor, a empresa, o governo e o país. A América Latina tem uma energia única. Tem criatividade, resiliência e um mercado enorme e ainda mal atendido. Só precisamos derrubar as barreiras do desconhecimento — e isso se alcança com diálogo, transparência e resultados concretos.
Confira a entrevista original no site da Trend Setter Bolívia.
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